quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO


Folha de São Paulo, 05/12/2010 - São Paulo SP
Revolução na educação pública
Apenas com o apoio da população poderemos cobrar da classe política as medidas imprescindíveis para atacar de frente esse grave problema - JAIR RIBEIRO


Sinceramente, não entendo por que mais pessoas não se sentem revoltadas diante das condições da educação pública neste país. Somos uma nação em que cerca de 50% das crianças brasileiras da 5ª série são semianalfabetas. Dos 3,5 milhões de alunos que ingressam no ensino médio (antigo colegial), apenas 1,8 milhão se formam. Como consequência, todos os anos nós jogamos milhões e milhões de adolescentes despreparados no mercado de trabalho, sem qualquer perspectiva de ascensão social e econômica. Isso não lhe causa indignação? Essas estatísticas refletem décadas -ou melhor, centenas de anos- de descaso com a educação. Nós, brasileiros, políticos e sociedade civil, simplesmente não priorizamos a educação. Com isso, impedimos que o país melhore a sua desigualdade social, reduza a violência ou mesmo consiga sustentar uma taxa de crescimento mais estável. As estatísticas recentes demonstram que o sistema não apresentou uma melhora significativa nos últimos anos. Nesse ritmo, jamais atingiremos o nível de educação dos países desenvolvidos em 2022, como propõe o governo.
Mesmo porque trata-se de uma meta móvel: até lá, os demais países terão avançado substancialmente mais. Precisamos de uma verdadeira revolução na educação pública brasileira. Os Estados Unidos a fizeram em 1870, ou seja, há 140 anos! Em uma década, dobraram o investimento na educação pública e universalizaram o ensino. Em 1910, todas as crianças tinham acesso a uma escola de período semi-integral. Outro exemplo conhecido é o da Coréia. Na década de 70, iniciaram uma verdadeira revolução na qualidade da educação pública. Com isso, saíram de um PIB per capita abaixo do brasileiro para um dos mais altos do mundo em menos de duas gerações. O modelo mais recente é o chinês. Muito se fala nos investimentos em infraestrutura, mas pouco se divulga o enorme esforço educacional chinês, do ensino primário aos cursos de doutorado.
Mas o que podemos fazer? Primeiro, conscientizar a população em geral para o verdadeiro desastre que é nossa educação pública. Apenas com o apoio da população poderemos cobrar da classe política as medidas revolucionárias (já amplamente conhecidas dos experts em educação) imprescindíveis para atacar de frente o problema. Em segundo lugar, envolva-se pessoalmente. Educação pública é uma questão por demais relevante para se deixar apenas na mão do Estado. Há inúmeras ONGs de excelência que contribuem para a melhoria do quadro educacional brasileiro (por exemplo, o Instituto Ayrton Senna, a Fundação Bradesco ou mesmo a nossa Parceira da Educação, para nomear algumas). Participe delas, como voluntário ou mantenedor. Quanto mais envolvido com a realidade da educação pública, mais consciente você estará dos nossos desafios. Precisamos de mais aliados nessa revolução! JAIR RIBEIRO, empresário, é co-coordenador da Associação Parceiros da Educação, ONG que promove a parceria entre escolas públicas e empresárias.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um choque de educação - Katia Chedid

O Globo, 23/11/2010 - Rio de Janeiro RJ

Todos os "choques" que se possam criar, deveriam convergir para apenas um, único e fundamental: O Choque de Educação. Éramos muito felizes e não sabíamos o quanto, quando décadas atrás, os bons estudantes, estavam nas escolas públicas. As mesmas sólidas construções que existem até hoje. Professores trabalhavam por vocação, eram respeitados e complementavam exemplarmente a educação que os alunos recebíamos em casa. As escolas eram continuidade de nossos lares. Tive a honra de estudar no maravilhoso Colégio de Aplicação da UERJ, público. Muito jovens, éramos tratados como universitários, por mestres inesquecíveis. Junto a excelente qualidade de ensino, a disciplina reinante, em todos os aspectos, fazia toda a diferença. Ninguém saía gritando pelo colégio ou em sala de aula. O respeito ao professor era absoluto. Nosso uniforme não podia ser modificado e sentíamos grande orgulho em usá-lo. Qualquer situação era discutida com os superiores. Os alunos participavam e eram ouvidos, sabendo bem a importância de seus atos. Havia ordem. Educação, disciplina e respeito aos limites. Palavras fora de moda nos dias atuais.

A evolução não nos trouxe itens melhores, ao contrário, caminha para a degradação da sociedade. As praças de alimentação em shoppings podem ser um termômetro para tal. Todos falam aos gritos. Mães deixam seus filhos correrem, incomodam todo mundo e acham uma gracinha. Elas são "mães modernas", usam bolsas de grife, não repreendem filhos de quatro anos que já usam celular e computador, e estudam em colégios avançados e famosos. Esta mesma "família moderna", quando sai, deixa tudo sujo em volta, entendendo que é obrigação dos empregados limpar. Ao entrar no seu carro, de marca valiosa, ainda vão jogar pela janela, em via pública, o que desejar. O pai vai avançar o sinal para ganhar tempo, vai xingar o pedestre, buzinar bem alto, e dirigir, falando ao celular.

Estas crianças na escola vão agir como quiserem, e o pobre professor vai levar a sobra sem poder fazer nada. Caso faça, o psicólogo vai contrapor suas atitudes. Quando adolescente, está criança vai bater em todo mundo, vai agredir o professor, vai se achar o dono de seu arruaceiro mundo. Os pais não terão voz, pois estarão colhendo o que plantaram em seus impossíveis filhos que, à noite, estarão fazendo baderna, pichando muros, ouvindo som às alturas e gritando seus palavrões nos bares da vida.

As alterações e a modernidade no ensino não nos levaram a melhores caminhos. Os professores já estão em extinção. O sistema de ensino desce ladeira abaixo e vemos nossa cidade suja, depredada e pichada pelo próprio povo. O mesmo povo que joga o panfleto no chão, em frente à caixa coletora, indiferente ao gari que acabou de varrer tudo, sem consciência de que o material de limpeza gasto sai dos seus impostos. A falta de educação, o desconhecimento dos princípios da ética, o desrespeito ao limite do próximo, em todos os níveis e classes, são mazelas desta sociedade, muito ocupada em consumir, ao invés de evoluir, aprimorar, exercer cidadania e construir algo melhor como exemplo para seus filhos. Este é o grande choque que deve ser dado se, ainda tivermos tempo, de voltar aos princípios.

“A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui”. Jean Jacques Rousseau
VAMOS REFLETIR!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BOLA CHEIA - GODRI

A RESPONSABILIDADE SOCIAL UNIVERSITÁRIA

Ao se pensar na construção de um mundo mais justo, a educação exerce um papel fundamental na formação da cidadania. Ela deve ser entendida como a mola propulsora para tornar o individuo mais crítico e consciente, capaz de compreender seu papel na sociedade e atuar efetivamente na perspectiva de transformá-la.


E dentro deste contexto, a responsabilidade social universitária é de extrema relevância no sentido de difundir um conjunto de princípios e valores a partir de atividades que integralizam a tríade do conhecimento: ensino, pesquisa e extensão.

Quando se fala em Responsabilidade Social Universitária, é necessário adotar uma atitude ética e socialmente responsável em todas as suas atividades perante à comunidade, assumindo de fato o seu papel diante das inúmeras demandas sociais.

Desta forma a universidade poderá contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade, formando cidadãos conscientes e, sobretudo proativos, despertando no aluno atributos como solidariedade, trabalho em equipe, voluntariedade, liderança e empreendedorismo que são habilidades fundamentais que contribuem sobremaneira em sua formação acadêmica e profissional.

Partindo do princípio de que a desigualdade social é uma realidade do mundo contemporâneo, faz-se necessário que as universidades públicas e privadas, atendam essas demandas através de projetos de extensão que consigam, dentro do possível, reverter este quadro. Tais projetos desenvolvidos pelas IES’s têm apresentado um resultado muito positivo junto à sociedade e vem demonstrando ao longo dos anos que a universidade pode contribuir de fato para o processo de inclusão social. É importante salientar que o grande diferencial de uma universidade está focado nos programas de extensão desenvolvidos junto à comunidade, especialmente do entorno da IES e como o resultado destes projetos reflete na qualidade de vida das pessoas envolvidas.

E dentro desta perspectiva que a Faculdade Univiçosa, localizada em Viçosa, desenvolveu uma Cartilha da Saúde que foi elaborada por alunos, professores e coordenadores de curso, tendo como objetivo oferecer à população mais carente, dicas e sugestões referentes às diversas áreas da saúde, tais como: receitas práticas e de baixo custo para o melhor aproveitamento dos alimentos, informações sobre a utilização de plantas medicinais e seus benefícios, dicas de primeiros socorros, calendário de vacinação, exercícios para incontinência urinária, cuidados com a coluna, dicas de como lidar com problemas em família, entre outros assuntos. Foram elaborados 30.000 exemplares e muitos deles foram distribuídos em várias cidades da Zona da Mata.

Iniciativas como essa tendem a estimular a inovação e a criatividade frente aos desafios sócio-econômicos das camadas mais desfavorecidas, através de projetos e programas sociais que visam beneficiar o bem estar comum. Quando uma instituição utiliza-se da responsabilidade social, verifica-se efetivamente os benefícios proporcionados à comunidade e conseqüentemente, observa-se uma maior satisfação daqueles que estão envolvidos na ação comunitária, resgatando, muitas vezes a dignidade humana.

 
Autor deste artigo: Adriana Cambuí

O ÚLTIMO DIA

"Aquele era seu último dia de vida, mas ele ainda não sabia disso."

Naquela manhã, sentiu vontade de dormir um pouco mais. Estava cansado, tinha deitado muito tarde e não havia dormido bem. Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama, e levantou-se, pensando nas muitas coisas que precisava fazer na empresa.

Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente. Não prestou atenção no rosto cansado e nem nas olheiras escuras, resultado de noites mal dormidas.

Engoliu o café e saiu resmungando baixinho um "bom dia", sem muita convicção. Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida. Não entendia porque ela se queixava tanto da ausência dele e vivia pedindo mais tempo para ficarem juntos.

Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava?

Entrou no carro e saiu. Pegou o telefone celular e ligou para sua filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos. Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar.

Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto. Mas não podia, naquele dia, sair da empresa. Quem sabe no próximo final de semana?

Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava lotada, e era muito importante começar logo a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.

Na hora do almoço, pediu à secretária para trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte.

Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de lanche estava mastigando.

Enquanto relacionava os telefonemas que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up.

Mas ele logo concluiu que era um mal estar passageiro, que seria resolvido com um café forte, sem açúcar.

Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou ao trabalho. "a vida continua", pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir.

Saiu para uma reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador. Desceu as escadas pulando os degraus de dois em dois. Entrou no carro, deu a partida e, quando ia engatar a marcha, sentiu de novo o mal estar e agora com uma dor forte no peito.

O ar começou a faltar... A dor foi aumentando... O carro desapareceu... Os outros carros também... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem.

A esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas de que mais gostava.

Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã?

A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturbá-lo: a do arrependimento.

Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte: a dor da coronária entupida ou a de sua alma rasgando.

Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração, e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas...

Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto...

Queria... Queria... Mas não havia mais tempo.

Quantas pessoas estão vivendo hoje seu último dia de existência na Terra e não sabem disso!

Quantas saem do corpo físico diariamente e deixam muitas coisas por fazer!

Certamente os compromissos profissionais, a limpeza da casa, as compras, os pagamentos, outras pessoas farão.

Mas as questões afetivas, as coisas do coração, somente cada um pode deixar em dia. Aquela visita a um amigo, o abraço de ternura num familiar querido, um beijo carinhoso na esposa ou esposo, uma palavra atenciosa a alguém que precisa, um tempo a mais para dedicar aos amores.