quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO


Folha de São Paulo, 05/12/2010 - São Paulo SP
Revolução na educação pública
Apenas com o apoio da população poderemos cobrar da classe política as medidas imprescindíveis para atacar de frente esse grave problema - JAIR RIBEIRO


Sinceramente, não entendo por que mais pessoas não se sentem revoltadas diante das condições da educação pública neste país. Somos uma nação em que cerca de 50% das crianças brasileiras da 5ª série são semianalfabetas. Dos 3,5 milhões de alunos que ingressam no ensino médio (antigo colegial), apenas 1,8 milhão se formam. Como consequência, todos os anos nós jogamos milhões e milhões de adolescentes despreparados no mercado de trabalho, sem qualquer perspectiva de ascensão social e econômica. Isso não lhe causa indignação? Essas estatísticas refletem décadas -ou melhor, centenas de anos- de descaso com a educação. Nós, brasileiros, políticos e sociedade civil, simplesmente não priorizamos a educação. Com isso, impedimos que o país melhore a sua desigualdade social, reduza a violência ou mesmo consiga sustentar uma taxa de crescimento mais estável. As estatísticas recentes demonstram que o sistema não apresentou uma melhora significativa nos últimos anos. Nesse ritmo, jamais atingiremos o nível de educação dos países desenvolvidos em 2022, como propõe o governo.
Mesmo porque trata-se de uma meta móvel: até lá, os demais países terão avançado substancialmente mais. Precisamos de uma verdadeira revolução na educação pública brasileira. Os Estados Unidos a fizeram em 1870, ou seja, há 140 anos! Em uma década, dobraram o investimento na educação pública e universalizaram o ensino. Em 1910, todas as crianças tinham acesso a uma escola de período semi-integral. Outro exemplo conhecido é o da Coréia. Na década de 70, iniciaram uma verdadeira revolução na qualidade da educação pública. Com isso, saíram de um PIB per capita abaixo do brasileiro para um dos mais altos do mundo em menos de duas gerações. O modelo mais recente é o chinês. Muito se fala nos investimentos em infraestrutura, mas pouco se divulga o enorme esforço educacional chinês, do ensino primário aos cursos de doutorado.
Mas o que podemos fazer? Primeiro, conscientizar a população em geral para o verdadeiro desastre que é nossa educação pública. Apenas com o apoio da população poderemos cobrar da classe política as medidas revolucionárias (já amplamente conhecidas dos experts em educação) imprescindíveis para atacar de frente o problema. Em segundo lugar, envolva-se pessoalmente. Educação pública é uma questão por demais relevante para se deixar apenas na mão do Estado. Há inúmeras ONGs de excelência que contribuem para a melhoria do quadro educacional brasileiro (por exemplo, o Instituto Ayrton Senna, a Fundação Bradesco ou mesmo a nossa Parceira da Educação, para nomear algumas). Participe delas, como voluntário ou mantenedor. Quanto mais envolvido com a realidade da educação pública, mais consciente você estará dos nossos desafios. Precisamos de mais aliados nessa revolução! JAIR RIBEIRO, empresário, é co-coordenador da Associação Parceiros da Educação, ONG que promove a parceria entre escolas públicas e empresárias.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um choque de educação - Katia Chedid

O Globo, 23/11/2010 - Rio de Janeiro RJ

Todos os "choques" que se possam criar, deveriam convergir para apenas um, único e fundamental: O Choque de Educação. Éramos muito felizes e não sabíamos o quanto, quando décadas atrás, os bons estudantes, estavam nas escolas públicas. As mesmas sólidas construções que existem até hoje. Professores trabalhavam por vocação, eram respeitados e complementavam exemplarmente a educação que os alunos recebíamos em casa. As escolas eram continuidade de nossos lares. Tive a honra de estudar no maravilhoso Colégio de Aplicação da UERJ, público. Muito jovens, éramos tratados como universitários, por mestres inesquecíveis. Junto a excelente qualidade de ensino, a disciplina reinante, em todos os aspectos, fazia toda a diferença. Ninguém saía gritando pelo colégio ou em sala de aula. O respeito ao professor era absoluto. Nosso uniforme não podia ser modificado e sentíamos grande orgulho em usá-lo. Qualquer situação era discutida com os superiores. Os alunos participavam e eram ouvidos, sabendo bem a importância de seus atos. Havia ordem. Educação, disciplina e respeito aos limites. Palavras fora de moda nos dias atuais.

A evolução não nos trouxe itens melhores, ao contrário, caminha para a degradação da sociedade. As praças de alimentação em shoppings podem ser um termômetro para tal. Todos falam aos gritos. Mães deixam seus filhos correrem, incomodam todo mundo e acham uma gracinha. Elas são "mães modernas", usam bolsas de grife, não repreendem filhos de quatro anos que já usam celular e computador, e estudam em colégios avançados e famosos. Esta mesma "família moderna", quando sai, deixa tudo sujo em volta, entendendo que é obrigação dos empregados limpar. Ao entrar no seu carro, de marca valiosa, ainda vão jogar pela janela, em via pública, o que desejar. O pai vai avançar o sinal para ganhar tempo, vai xingar o pedestre, buzinar bem alto, e dirigir, falando ao celular.

Estas crianças na escola vão agir como quiserem, e o pobre professor vai levar a sobra sem poder fazer nada. Caso faça, o psicólogo vai contrapor suas atitudes. Quando adolescente, está criança vai bater em todo mundo, vai agredir o professor, vai se achar o dono de seu arruaceiro mundo. Os pais não terão voz, pois estarão colhendo o que plantaram em seus impossíveis filhos que, à noite, estarão fazendo baderna, pichando muros, ouvindo som às alturas e gritando seus palavrões nos bares da vida.

As alterações e a modernidade no ensino não nos levaram a melhores caminhos. Os professores já estão em extinção. O sistema de ensino desce ladeira abaixo e vemos nossa cidade suja, depredada e pichada pelo próprio povo. O mesmo povo que joga o panfleto no chão, em frente à caixa coletora, indiferente ao gari que acabou de varrer tudo, sem consciência de que o material de limpeza gasto sai dos seus impostos. A falta de educação, o desconhecimento dos princípios da ética, o desrespeito ao limite do próximo, em todos os níveis e classes, são mazelas desta sociedade, muito ocupada em consumir, ao invés de evoluir, aprimorar, exercer cidadania e construir algo melhor como exemplo para seus filhos. Este é o grande choque que deve ser dado se, ainda tivermos tempo, de voltar aos princípios.

“A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui”. Jean Jacques Rousseau
VAMOS REFLETIR!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BOLA CHEIA - GODRI

A RESPONSABILIDADE SOCIAL UNIVERSITÁRIA

Ao se pensar na construção de um mundo mais justo, a educação exerce um papel fundamental na formação da cidadania. Ela deve ser entendida como a mola propulsora para tornar o individuo mais crítico e consciente, capaz de compreender seu papel na sociedade e atuar efetivamente na perspectiva de transformá-la.


E dentro deste contexto, a responsabilidade social universitária é de extrema relevância no sentido de difundir um conjunto de princípios e valores a partir de atividades que integralizam a tríade do conhecimento: ensino, pesquisa e extensão.

Quando se fala em Responsabilidade Social Universitária, é necessário adotar uma atitude ética e socialmente responsável em todas as suas atividades perante à comunidade, assumindo de fato o seu papel diante das inúmeras demandas sociais.

Desta forma a universidade poderá contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade, formando cidadãos conscientes e, sobretudo proativos, despertando no aluno atributos como solidariedade, trabalho em equipe, voluntariedade, liderança e empreendedorismo que são habilidades fundamentais que contribuem sobremaneira em sua formação acadêmica e profissional.

Partindo do princípio de que a desigualdade social é uma realidade do mundo contemporâneo, faz-se necessário que as universidades públicas e privadas, atendam essas demandas através de projetos de extensão que consigam, dentro do possível, reverter este quadro. Tais projetos desenvolvidos pelas IES’s têm apresentado um resultado muito positivo junto à sociedade e vem demonstrando ao longo dos anos que a universidade pode contribuir de fato para o processo de inclusão social. É importante salientar que o grande diferencial de uma universidade está focado nos programas de extensão desenvolvidos junto à comunidade, especialmente do entorno da IES e como o resultado destes projetos reflete na qualidade de vida das pessoas envolvidas.

E dentro desta perspectiva que a Faculdade Univiçosa, localizada em Viçosa, desenvolveu uma Cartilha da Saúde que foi elaborada por alunos, professores e coordenadores de curso, tendo como objetivo oferecer à população mais carente, dicas e sugestões referentes às diversas áreas da saúde, tais como: receitas práticas e de baixo custo para o melhor aproveitamento dos alimentos, informações sobre a utilização de plantas medicinais e seus benefícios, dicas de primeiros socorros, calendário de vacinação, exercícios para incontinência urinária, cuidados com a coluna, dicas de como lidar com problemas em família, entre outros assuntos. Foram elaborados 30.000 exemplares e muitos deles foram distribuídos em várias cidades da Zona da Mata.

Iniciativas como essa tendem a estimular a inovação e a criatividade frente aos desafios sócio-econômicos das camadas mais desfavorecidas, através de projetos e programas sociais que visam beneficiar o bem estar comum. Quando uma instituição utiliza-se da responsabilidade social, verifica-se efetivamente os benefícios proporcionados à comunidade e conseqüentemente, observa-se uma maior satisfação daqueles que estão envolvidos na ação comunitária, resgatando, muitas vezes a dignidade humana.

 
Autor deste artigo: Adriana Cambuí

O ÚLTIMO DIA

"Aquele era seu último dia de vida, mas ele ainda não sabia disso."

Naquela manhã, sentiu vontade de dormir um pouco mais. Estava cansado, tinha deitado muito tarde e não havia dormido bem. Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama, e levantou-se, pensando nas muitas coisas que precisava fazer na empresa.

Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente. Não prestou atenção no rosto cansado e nem nas olheiras escuras, resultado de noites mal dormidas.

Engoliu o café e saiu resmungando baixinho um "bom dia", sem muita convicção. Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida. Não entendia porque ela se queixava tanto da ausência dele e vivia pedindo mais tempo para ficarem juntos.

Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava?

Entrou no carro e saiu. Pegou o telefone celular e ligou para sua filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos. Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar.

Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto. Mas não podia, naquele dia, sair da empresa. Quem sabe no próximo final de semana?

Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava lotada, e era muito importante começar logo a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.

Na hora do almoço, pediu à secretária para trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte.

Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de lanche estava mastigando.

Enquanto relacionava os telefonemas que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up.

Mas ele logo concluiu que era um mal estar passageiro, que seria resolvido com um café forte, sem açúcar.

Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou ao trabalho. "a vida continua", pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir.

Saiu para uma reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador. Desceu as escadas pulando os degraus de dois em dois. Entrou no carro, deu a partida e, quando ia engatar a marcha, sentiu de novo o mal estar e agora com uma dor forte no peito.

O ar começou a faltar... A dor foi aumentando... O carro desapareceu... Os outros carros também... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem.

A esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas de que mais gostava.

Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã?

A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturbá-lo: a do arrependimento.

Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte: a dor da coronária entupida ou a de sua alma rasgando.

Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração, e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas...

Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto...

Queria... Queria... Mas não havia mais tempo.

Quantas pessoas estão vivendo hoje seu último dia de existência na Terra e não sabem disso!

Quantas saem do corpo físico diariamente e deixam muitas coisas por fazer!

Certamente os compromissos profissionais, a limpeza da casa, as compras, os pagamentos, outras pessoas farão.

Mas as questões afetivas, as coisas do coração, somente cada um pode deixar em dia. Aquela visita a um amigo, o abraço de ternura num familiar querido, um beijo carinhoso na esposa ou esposo, uma palavra atenciosa a alguém que precisa, um tempo a mais para dedicar aos amores.

sábado, 2 de outubro de 2010

FUNCIONÁRIO TREINADO MANTÉM MÁQUINA FUNCIONANDO (TPM)

A Manutenção Produtiva Total (conhecida pela sigla em inglês TPM - Total Productive Maintenance) surgiu no Japão, após a Segunda Guerra Mundial, para evitar que as máquinas ficassem muito tempo paradas e, consequentemente, sem produzir e sem gerar lucros. A melhor maneira encontrada para se aproximar cada vez mais de nível zero em perdas e desperdícios, foi investir na autonomia dos operadores e prevenir panes nas máquinas.

Até meados da década de 1940, as indústrias trabalhavam com o sistema de manutenção corretiva, ou seja, esperava a máquina dar pane e parar de funcionar para corrigir qualquer tipo de problema. No entanto, este tipo de ação causava retrabalhos, perda de tempo e prejuízos financeiros. Para mudar esse quadro, começou a se dar mais ênfase na manutenção preditiva e preventiva. Foi a partir deste ponto que surgiu o conceito de TPM.

Na TPM, a manutenção é uma parte vital do processo industrial e está inserida na rotina da fábrica, evitando, ao máximo, paradas de emergência. Para isso, os cinco pilares que mantém ereto este sistema são eficiência, auto-reparo, planejamento, treinamento e ciclo de vida.

A principal diferença da TPM para os outros conceitos de manutenção está em aumentar a satisfação do funcionário, que recebe investimentos da empresa e não fica restrito a trabalhos mecânicos, tendo grande importância no processo. O que, consequentemente, melhora a produtividade.

Para manter esta estrutura em funcionamento, a maioria dos problemas possíveis de aparecer em uma máquina pode ser resolvidos pelo próprio operador, parte importante do processo, treinado para isso. Além de não depender de um outro setor para resolver certas panes, o conserto é mais rápido, com menos mão de obra e independente.

Para que a TPM seja eficaz, de fato, a capacitação é essencial, tanto para os operadores que farão os ajustes necessários no equipamento, quanto para os mantenedores, para serem multifuncionais, e engenheiros, que podem desenvolver máquinas e equipamentos que precisem cada vez menos de manutenção, mais duradouras e eficientes.

Também não se pode esquecer da ênfase que o conceito dá para as paradas agendadas. Assim, é possível verificar se existe algum problema no equipamento e já consertá-lo, antes que a falha se agrave e o funcionamento seja interrompido por tempo indeterminado. Este processo permite a liberdade de marcar as manutenções para horários em que a produção já é mais baixa, naturalmente. Evitar as manutenções de emergência é essencial para a TPM, e, ao evitar as panes graves, o procedimento ainda aumenta o ciclo de vida dos equipamentos.

Este conceito exige um forte planejamento e dedicação da empresa, qualificação de funcionários e uma estruturação bem definida para que se alcance os resultados esperados em reduzir perdas de produção e de tempo. Pode, em um primeiro momento, parecer um investimento alto, no entanto, os benefícios econômicos que virão na sequência compensam os esforços. Além disso, ainda transforma o trabalho em uma atividade agradável e gratificante para funcionários em todos os níveis hierárquicos de uma indústria.

Fonte: CIMM - 18/05/2010
http://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/7231-funcionrio-treinado-mantm-mquina-funcionando?utm_source=CRM&utm_medium=cpc&utm_campaign=Boletim+ Informativo+34+de+2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Por que investir em educação?

http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/por-que-investir-346136.shtml?page=page1

DENTRO E FORA DOS ESPELHOS

ARTIGO PUBLICADO NO ANOTÍCIA

Dentro e fora dos espelhos, por Claudia Regina Pereira Belli*

O tema espelho é provocativo, invoca indagações existenciais e evoca outras faces, as chamadas máscaras, criadas e recriadas pelo senso comum, para sobrevivência de cada indivíduo nas sociedades. O espelho pode refletir o que há de secreto em cada indivíduo, pode projetar uma imagem pronta, de fora para dentro, ou uma imagem obscura de dentro para fora. Pode ser também uma superfície muito lisa e com alto índice de reflexão de luz.

Ao projetar a imagem no espelho, pode-se proporcionar a experiência de autoconhecimento para a descoberta do eu. Nesse caso, é relevante levar em consideração o ensaio “Espelho, Espelhos”, de Sérgio Telles, no qual se questiona a existência, o reencontro com o próprio eu. Relata questões referentes à psicanálise, é construído um diálogo entre a psicanálise; e o conto “Espelho”, de Guimarães Rosa, desnuda o fato de a literatura trazer à tona situações cotidianas e existencialistas. O autor fala com o leitor como um espelhamento, o analista é o espelho para o analisando, um processo de construção de identidades, de constituição do sujeito que está escondido por detrás de algo.

Há exemplo de espelhos em 2 Coríntios 3:18, quando o apóstolo Paulo cita: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelhos, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. O fato de a face estar sendo desvendada dilui a essência do seu olhar para dentro de si. O espelho, além de ser um objeto que denota, expõe e propicia enxergarmos a própria imagem, pode nortear também reflexões sobre os eus.

Isso acontece também por meio da arte poética, que pode conceder ao homem uma essência de vida e de movimentos. A poesia é a linguagem da imaginação e do coração, de representar os objetos e seres, não como são propriamente, mas sim como são modelados por outros pensamentos, numa infinita variedade de formas e conteúdos de intimidades, no qual a poesia liga a natureza a si própria.

Cada sujeito, ao ler um poema, transforma-se. A mudança de percepção pode se dar por meio de uma confissão sem máscaras, sem medos e com rupturas, pela imagem refletida no espelho por diferentes ângulos ou pela descoberta do eu interior. O poeta Octavio Paz afirma que “a poesia nasce da antiga crença mágica na identidade entre a palavra e aquilo que a palavra nomeia”. O olhar sobre a questão poética ocorre por meio de princípios que dizem respeito ao desenvolvimento de uma reflexão social e necessária para a humanidade.

O tempo atrai situações inesperadas, é a magia repentina das coisas, é o mágico das armadilhas; não está somente no relógio, está nas fases do espelho da vida; não se transforma em uma estátua, é a lembrança e a espera de algo, o tempo reflete o passado no presente.

Quem tem medo de espelhos? Sempre vai depender da perspectiva do eu, ou do que realmente se pretende ver em cada espelho quando a janela se abre. A última indagação questiona quais são as perspectivas da imagem refletida pelo espelho. Será a aparência, a essência, o tempo e/ou a memória?

*Professora universitária e mestranda do Programa em Patrimônio Cultural e Sociedade da Univille.

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2753539.xml&template=4187.dwt&edition=13745§ion=882

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos

RESENHA

Livro – Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos
Capítulos - 1 e 2
Autor - Martin Christopher



A partir do desenvolvimento da economia, a busca por vantagens competitivas em todas as frentes vem sendo cada vez mais uma obsessão desafiadora para as empresas manterem sua competitividade em seus negócios. A conscientização de que o relacionamento com o cliente é a fonte para lucros a longo prazo, deixou claro à importância vital que é o serviço ao cliente.
Devido a grande evolução, principalmente, tecnológica nos processos de fabricação dando aos produtos características funcionais e físicas muito semelhantes, o serviço que cada organização prestará é que fará a diferença.
Para conquistar este diferencial, e realmente ter um serviço eficaz ao cliente o fator crítico de sucesso é possuir um sistema logístico que permita uma entrega consistente.
Veremos a seguir o que o autor sugere nos primeiros dois capítulos: o primeiro abordando – A Logística e a Estratégia competitiva; o segundo – A Dimensão do serviço ao cliente.
A logística e a Estratégia Competitiva – ao longo da história do homem, as guerras têm sido ganhas ou perdidas através do poder e da capacidade da logística ou falta deles. Na Segunda Guerra Mundial, tem se o exemplo da invasão da Europa pelas forças Aliadas foi um exército de logística altamente proficiente. Generais e Marechais dos tempos remotos compreenderam o papel crítico da logística, somente num passado recente é que as organizações empresariais reconheceram o impacto vital que o gerenciamento logístico pode ter na obtenção da vantagem competitiva.
Como o próprio autor define, “Logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados (e os fluxos de informações correlatas), através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presente e futura através do atendimento dos pedidos a baixo custo.”
O eficiente gerenciamento da cadeia de suprimentos é possibilitará uma fonte de vantagem competitiva.
As bases do sucesso no mercado são várias, o modelo utilizado pelo autor é o dos três C’s, Companhia, Clientes e Concorrência. A fonte da vantagem competitiva é encontrada, na capacidade da organização diferenciar-se de seus concorrentes aos olhos do cliente e, em segundo lugar, pela capacidade de operar a baixo custo, portanto, com lucro maior.
Vantagem em Produtividade - quando a empresa por sua produção consegue uma economia de escala, ela obtêm uma maior diluição de seus custos fixos, significando uma redução no custo unitário de produção.
Vantagem em Valor - em marketing se diz que "os clientes não compram produtos, compram satisfação", isto quer dizer, não se compra o produto pelo que ele é, mas pela promessa do que lhes "proporcionará". Os benefícios podem ser intangíveis, tais como reputação ou imagem, e o desempenho oferecido pode ser melhor que o concorrente. Para o seu produto não tornar-se "commodity", - o diferencial ser o preço, pois o restante será igual aos concorrentes - temos que agregar valor, como veremos a seguir.
Uma das formas é o de segmentação de mercado, ou segmentos de valor distinto, isto significa que é possível criar apelos diferentes para agregar valor.
O serviço é um instrumento poderoso na hora de adicionar valor, pois cada vez mais as pessoas optam por ter: entrega diferenciada, embalagem exclusiva, serviço pós-venda, assistência técnica adicional, etc.
Hoje a empresa deve obter seu ganho máximo no inicio do ciclo de vida do produto, sendo sempre que possível referencial de sua área, apresentando constante inovação, se mantendo à frente de seus concorrentes.
Outra forma de sair da área de "commodity" é procurar segmentar o seu mercado, passando a atender o cliente de maneira diferenciada, agregando valor ao produto.
Obtendo Vantagem Competitiva através da Logística - aconselha-se as empresas a procurar um valor superior aos olhos dos clientes, a isto deu-se o nome de "cadeia de valor".
As atividades da cadeia de valor são divididas em dois tipos: atividades primárias - logística de entrada, operações, logística de saída, marketing e vendas e assistência técnica, e atividades de apoio, infra-estrutura, gerenciamento de recursos humanos, desenvolvimento de tecnologia e aquisição, estas atividades de suporte são funções integradoras, que atravessam de maneira discreta as várias atividades primárias dentro da empresa.
Tanto a vantagem em produtividade, como a vantagem em valor, podem ser auxiliadas pelo gerenciamento logístico, com melhor utilização da capacidade de produção, integração com fornecedores em nível de planejamento.
A Missão do Gerenciamento Logístico - sua missão é cuidar do planejamento, coordenação e envolvimento de todas as partes do processo, para alcançar níveis desejáveis de qualidade dos serviços, ao menor custo possível. Ela é o contato entre todas as operações da empresa, desde o gerenciamento de matérias-primas até a entrega do produto final, exceto a linha de produção.
A Cadeia de Suprimentos e o Desempenho Competitivo - o gerenciamento da cadeia de suprimentos difere dos controles clássicos em quatro sentidos:
1º - A cadeia de suprimentos deve ser vista como entidade única.
2º - Derivando-se da primeira, requer tomada de decisão estratégica, o suprimento é compartilhado por praticamente todas as funções da cadeia, com impacto direto sobre os custos e participação de mercado.
3º - Os estoques são utilizados como mecanismo de balanceamento, como último recurso.
4º - A mudança do interface para a integração.
O reconhecimento da alta gerencia da organização é estimulo vital para que o processo de gerenciamento logístico seja bem sucedido, em função da alta representatividade.
O gerenciamento logístico, tem fator preponderante na terceirização, permitindo que as empresas se concentrem em seus negócios, no que elas fazem realmente bem, têm vantagem competitiva.
O gerenciamento logístico, tem como uma das suas principais responsabilidades fazer com que toda a cadeia de suprimento seja lucrativa – fornecedores e clientes – com um relacionamento cooperativo (parceria). A competição deverá ser entre cadeias e não entre as etapas da cadeia.
O gerenciamento logístico tem como atribuições também o controle dos estoques, de insumos e produtos acabados, distribuição, e pontos de venda, no conceito de visão global, uma vez que a integração interna não é suficiente.
O Ambiente Logístico em Mutação - dos problemas estratégicos que as empresas enfrentam hoje, decorrente da mudança no conteúdo competitivo das organizações o mais desafiante talvez seja o da logística. Que deverá enfrentar tais desafios:
Explosão do serviço ao cliente - Com a explosão do serviço ao cliente, ressaltando o valor de uso do produto, uma vez que estes não têm valor até que eles estejam nas mãos dos clientes na hora e lugar exigidos, fez com que o gerenciamento logístico passasse a ser prioritário.
A vantagem competitiva é conseguida através de uma estratégia de serviços e um sistema de entregas bem desenvolvido e sistemático.
Compressão do tempo - Com o ciclo de vida dos produtos cada vez menores, os usuários cada vez mais inclinados a aceitar produtos substitutos se sua primeira escolha não estiver disponível imediatamente, a cada introdução de um novo produto resulta em implicações gerenciais causadas pela redução do tempo. Comenta-se sobre a necessidade de novas formas de gerenciar o processo de desenvolvimento de novos produtos , associações de risco e da necessidade da melhoria na qualidade do retorno da informação recebida do mercado, fazendo sua ligação com o esforço de produção e distribuição da empresa. Entretanto uma das funções básicas da logística é proporcionar a "disponibilidade" e promover a integração entre o marketing e o planejamento de fabricação.
Concluindo, para obtenção de uma vantagem competitiva duradoura, é necessária uma abordagem nova e diferente para o gerenciamento dos prazos.
Globalização da Indústria - A tendência global é mais um desafio para o gerenciamento logístico. As empresas que atendem ao mercado mundial não podem ser simplesmente uma multinacional e sim uma empresa global, considerando que ela atenderá a diferentes mercados com necessidades e características culturais próprias. Em função disto é necessário que as empresas desenvolvam uma estratégia de fabricação flexível e processo logístico eficiente.
Integração organizacional - O modelo da organização clássica - a empresa baseada em divisões funcionais e hierárquicas rigorosas - dificulta a obtenção de um fluxo de materiais completamente integrado e voltado para o cliente.
Os desafios enfrentados pelas empresas mudaram, atualmente para alcançar a posição de vantagem competitiva contínua, as organizações precisam se basear num sistema de gerenciamento integrado voltado para o mercado, e pessoas que valorizam os serviços. Serão valorizados os profissionais generalistas, capazes de integrar o gerenciamento de materiais com o gerenciamento de operações e entrega. Eles serão orientados pelo mercado, tendo como fonte de vantagem competitiva, os serviços ao cliente.
O Desafio do Gerenciamento Logístico - a tendência comercial do século XX exige que o processo de gerenciamento logístico integre o mercado, a rede de distribuição, o processo de fabricação com a atividade de aquisição, objetivando servir aos clientes com níveis cada vez mais altos e custos mais baixos. A vantagem competitiva será alcançada com a redução de custos e manutenção da qualidade do produto através da excelência no gerenciamento logístico e não pela redução nos custos de mão de obra como tradicionalmente era visto.
O encurtamento do ciclo de vida tem criado sérios problemas para o gerenciamento logístico. O efeito das mudanças da tecnologia e da demanda do consumidor produzem mercados mais voláteis em que um produto pode ficar obsoleto quase tão logo seja lançado, exigindo prazos menores de planejamento, aquisição de material, fabricação, montagem e entrega do produto final.
O meio de alcançar o sucesso no mercado atual é acelerar o movimento através da cadeia de suprimentos e tornar todo o sistema logístico mais flexível e sensível a este mercado em mutação rápida. Os principais desafios do gerenciamento logístico são:
Encurtar o fluxo logístico - as empresas tendem a encurtar os fluxos logísticos e trazendo-os para próximo de suas plantas o que permite a operação adotando-se os princípios de Just - in -Time na entrega, e na fabricação, agilizando a colocação dos produtos no mercado.
Melhorar a visibilidade do fluxo logístico - a visibilidade do fluxo logístico é de vital importância para a identificação dos gargalos de produção e na redução dos estoques, para isto as barreiras departamentais devem ser quebradas e as informações compartilhadas. As estruturas devem ser voltadas para o mercado, caracterizadas pela qualidade dos sistemas de informação.
Gerenciar a logística como um sistema - o processo logístico deve ser gerenciado de forma sistêmica, pela importância na combinação da capacidade de produção com as necessidades do mercado. É importante que o processo reconheça os inter-relacionamentos e interligações da cadeia de eventos que conectam fornecedor ao cliente.
É importante entender que o impacto de uma decisão em qualquer parte do sistema causará reflexos no sistema inteiro.
Os gerentes devem identificar como finalidade principal adicionar valor ao seu negócio pelo enfoque no fluxo de materiais.
A logística tem como essência a preocupação de obter vantagem competitiva em mercados cada vez mais voláteis, sobrevivendo às empresas que conseguirem adicionar valor ao cliente em prazos cada vez menores.

A Dimensão do serviço ao cliente – a finalidade principal de qualquer sistema logístico é a satisfação dos clientes, parece simples, mas fazer com que todos os envolvidos em atividades como PCP, produção, entre outras, já é o primeiro desafio a ser superado. O fato é que todos na organização têm o serviço ao cliente como meta.
O Marketing e a Interface Logística – neste ponto, dois fatores têm maior importância. O primeiro é a Mudança constante das expectativas do cliente que a cada dia fica mais “sofisticado”. Do mesmo modo, em situações de compras industriais, descobrimos que os compradores esperam níveis de serviço mais elevados dos fornecedores, à medida que um número cada vez maior de fabricantes adotam os sistemas de fabricação just-in-time.
O segundo fator é a lenta mais inexorável transição para o mercado de capitais do tipo commodities. Isto significa, que o poder da marca está decrescendo, à medida que as tecnologias dos produtos concorrentes convergem.
O que é Serviço ao Cliente? Conforme sugerido anteriormente, a função de serviço ao cliente é fornecer utilidade de tempo e de lugar, na transferência de mercadorias e serviços entre o comprador e o vendedor.
A disponibilidade é um conceito complexo que sofre o impacto de uma infinidade de fatores que juntos constituem o serviço ao cliente.
Exemplos: freqüência e confiabilidade da entrega, níveis de estoque em tempo consumido no ciclo do pedido, etc.
Na prática, vemos muitas organizações com pontos de vista diferentes sobre serviço ao cliente. Foi realizado um estudo, que descobriu que nas indústrias pesquisadas existiam várias idéias na constituição do serviço ao cliente. Comparando todas as informações, identificou-se pontos em comuns que foram classificados da seguinte forma:
Elementos de pré-transação - proporcionam um ambiente para um bom serviço ao cliente. Providenciar uma declaração escrita da política de serviços ao cliente, detalhando os procedimentos para o manuseio, prazos, métodos de embarque, o tipo de serviço que será oferecido, planos de contingência, etc.
Elementos de transação – são aqueles que resultam diretamente na entrega do produto ao cliente. Organização dos níveis de estoques seleção dos modais de transporte e estabelecimento dos padrões de processamento dos pedidos.
Elementos pós-transação - representam arranjo de serviços necessários para dar suporte ao produto em campo, proteger consumidores de produtos defeituosos, para providenciar o retorno de embalagens e para administrar reclamações, reivindicações e devoluções.
O serviço ao cliente e a retenção do cliente – o objetivo principal de qualquer estratégia de serviço ao cliente deve ser o aumento da retenção dos clientes.
Não é o que estamos acostumados a contatar nas empresas, normalmente o que vemos é o esforço da área de marketing focado em conquistar novos clientes.
Sistemas Logísticos orientados para os Serviços – facilmente encontramos organizações que projetam e gerenciam sistemas logísticos que tem objetivos internos, em vez de objetivos externos.
Neste ponto conhecemos empresas que medem seu desempenho de atendimento no prazo até a emissão da nota fiscal, desconsiderando o período de viagem até a entrega que em alguns casos são horas em outros mais de 3 dias.
O modelo ideal para construção de um sistema logístico com foco nos objetivos externos seria:
1º - Identificar as necessidades de serviço dos clientes
2º - Definir os objetivos do serviço ao cliente
3º - Projetar o Sistema Logístico
Estabelecimento dos Padrões de Serviço – neste ponto, o único padrão a ser alcançado é aquele que proporciona 100% de conformidade com as expectativas do cliente.
Fica evidente a necessidade da importância de contratar claramente com o cliente o que ele espera e o que desejamos e somos capazes de fornecer.
O serviço ao cliente é um dos fatores mais fortes disponíveis para a organização e, ainda assim, é um dos que tem pior gerenciamento. A principal mensagem deste capítulo é que a qualidade do desempenho do serviço ao cliente depende da habilidade com que o sistema logístico é projetado e gerenciado.
O desafio começa integração interna da empresa, principalmente, entre produção, vendas e logística, pois em muitas organizações são diretorias diferentes com focos diferentes. A partir do alinhamento interno é que poderemos construir um sistema logístico com foco no CLIENTE.